8 de outubro de 2011

O implícito do óbvio

As declarações que o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, prestou hoje, à Agência Lusa, a propósito do problema que afeta os funcionários consulares portugueses na Suíça, são o implícito do óbvio.

Afirma o secretário de Estado que «nós compreendemos as suas reivindicações e temos consciência que alguns deles estão em situação muito difícil», acrescentando ainda que «é um problema grave mas não exclusivo da Suíça».

Custou mas foi. Cinco semanas foi o tempo que levou o brilhantíssimo governante a perceber aquilo que era mais do que óbvio e que toda a gente (menos ele) já tinha compreendido há muito tempo. É que existe um grave problema para resolver com esses trabalhadores.

Diz ainda José Cesário que «estamos a estudar soluções que, estou convencido, não virão num futuro próximo e disse isso aos funcionários».

É simplesmente “fantabulosa” a capacidade de raciocínio de José Cesário. Se para perceber a existência do problema foram necessárias cinco semanas, é implícito e mais do que óbvio que, para este Governo serão necessários cinco anos para encontrar solução para o mesmo. Até porque, para José Cesário, a questão não está na gravidade do problema, mas sim na falta de exclusividade do mesmo, deixando igualmente implícito e óbvio que, o actual Governo só está cá para resolver os problemas exclusivos.

Ainda na senda do raciocínio do ilustre e exclusivo governante – porque também é implícito e muito mais do que óbvio – podemos concluir que o cargo de secretário de Estado das Comunidades Portuguesas apenas serve para derreter mais uns cobres do erário público. E que a competência de funções delegadas ou ainda por delegar ao mesmo pelo Ministro, seriam certamente melhor desempenhadas por um qualquer director-geral, com a inerente poupança de fundos que muito jeito daria nos dias que correm.

6 de outubro de 2011

É do diálogo que nasce a luz

Porque merece ser divulgada, sobretudo em consideração aos estóicos trabalhadores dos consulados e embaixadas portuguesas na Suíça, transcrevo a seguir a mensagem que recebi na minha caixa de correio, assinada por um amigo, Homem com « H » grande, sempre fiel a princípios e valores democráticos que deveriam inspirar algumas mentes empedernidas que por aí andam:

« Bem haja, caro amigo Melo, pela prontidão no apoio, crítico e lúcido, prestado aos trabalhadores consulares, que, aqui na Suíça, praticamente sozinhos, ergueram, com coragem – diria mesmo heroicidade - a voz do protesto desesperado.

Durante as cinco semanas, não se manifestaram arrogantes, arruaceiros, provocadores. Apenas exibiram a miséria, que o Governo do sr.Cesário, lhes serve à mesa, em prato quase vazio de pão e de esperança.

E, em resposta, e em vez de apreciar e valorizar a sensata decisão dos referidos trabalhadores, abrindo-lhes a porta ao diálogo, humilha-os, dedo em riste, e pendura-lhes ao pescoço a qualificação de " meninos mal-comportados". Pior ainda: vociferando ameaças, iminentes, se não se mantiverem no (co)"reto" caminho.

Acompanhei esta luta. Escutei razões; ouvi desabafos desesperados. E ouvi também que a suspenão desta paralisação era por preocupação pelos incómodos e prejuízos causados e sofridos pela Comunidade dos nossos Imigrantes. Mostraram, com abundante generosidade e sentido cívico, a sensatez que não medra na cabeça do impante sr. Secretário Cesário.

Cuide-se senhor professor, hoje Secretário de estado. Mesmo tendo chegado ao "estado a que isto chegou"(Salgueiro Maia), os tempos não são favoráveis a que nos instalemos no procedimento do "magister dixit"! Os ditadores quase sempre têm mau fim! É do diálogo que nasce a luz. E são os espíritos iluminados pelo reconhecimento do seu valor e da sua importância humana que fazem rodar as máquinas que elegem e mantêm os Secretários de estado e disponibilizam, com sorriso e sentimento de gratidão, os serviços, em proximidade, à Comunidade! »

5 de outubro de 2011

O milagre do Cesário

As recentes declarações nas redes sociais do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, são suficientemente esclarecedoras do “bom senso” que prevalece lá para as bandas do MNE (Ministério dos Negócios Estrangeiros).

Ao longo dos mais de trinta dias que durou a greve dos trabalhadores dos consulados e embaixadas portuguesas na Suíça, José Cesário enfiou a cabeça na areia, virando por completo as costas às suas responsabilidades. Não tugiu nem mugiu! Agora que os referidos trabalhadores suspenderam a greve – apesar de não haver ainda qualquer resolução para o diferendo –  é ver José Cesário de peito feito, arrogante quanto basta, adoptando uma postura cínica de autêntica provocação.

Num seu post no Facebook, diz o secretário de Estado que «importa sobretudo salientar o facto de ter prevalecido o bom senso» e que todos devem procurar «perceber como no futuro nos devemos comportar».

Pois é, meu caro José Cesário, o bom senso deveria começar por si e pelo seu chefe Paulo Portas. A boa gestão dos conflitos internos do pessoal do MNE são da primeira responsabilidade do governo e no caso concreto, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas deveria ter aparecido de imediato e colocar-se na primeira fila do necessário diálogo com os representantes dos referidos funcionários.

É pena que o amigo se tenha escondido atrás do problema em vez de procurar resolvê-lo, esperando cinicamente que passasse a primeira leva de protestos, na expetativa de que “tudo continue como dantes, no quartel de Abrantes”.

Creio que lhe irá sair o tiro pela culatra. É que, se a suposta intenção do Governo «é modernizar os serviços consulares» e que para isso «conta com a colaboração dos funcionários», parece-me de todo impossível que o consiga.

Seria certamente o “milagre do Cesário” conseguir motivar trabalhadores que se viram desprezados e espezinhados pelos seus governantes, os mesmos que agora lhes pedem colaboração! É lamentável que Portas e Cesário ainda não tenham compreendido que a sua prometida modernização consular não pode ser alcançada empurrando os problemas com a barriga e, sobretudo com funcionários desmotivados e desesperados.

Se José Cesário quer dormir tranquilo, esqueça esses “tiques” de cinismo e arrogância que tem demonstrado ultimamente, e acabe com as recorrentes promessas veladas de modernização consular. Sobretudo quando todos sabemos que, nos tempos que correm, o Rei não só vai nu como também magrete.

2 de outubro de 2011

Um embaixador "orgulhosamente inútil"

A maioria dos portugueses na Suíça interroga-se sobre o trabalho do embaixador português nesse país. Com mais ou menos conhecimentos sobre as tarefas que incumbem ao representante máximo de Portugal na Confederação Helvética, ambos partilham o mesmo sentimento: existe um grande défice de representação.

E este sentimento comum acaba de atingir o ponto máximo. Após mais de 30 dias a esbarrarem nas portas fechadas das chancelarias consulares e diplomáticas portuguesas, continuam sem perceber qual o papel do embaixador de Portugal em Berna. Há mesmo quem se interrogue se o nosso país tem qualquer representante diplomático acreditado na capital suíça.

É confrangedor aquilo que a comunidade portuguesa na Suíça está a testemunhar. No momento em que as dificuldades da luta diária para sobreviverem a uma crise económica e financeira devastadora lhes vai retirando forças e ânimo, acresce agora aos nossos compatriotas o sentimento de desprezo e abandono absolutos por parte daquele que tinha a obrigação e o dever de marcar presença nos seus espíritos, reservando-lhes, no mínimo, palavras de conforto e de esperança no futuro.

Não vou lembrar aqui, ao embaixador de Portugal em Berna, em que consistem todas as funções de uma missão diplomática, no âmbito da “Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”, nomeadamente a de «proteger no Estado acreditado (Suíça) os interesses do Estado acreditante (Portugal) e os seus nacionais, dentro dos limites permitidos pelo direito internacional».

Tenho a obrigação de lhe lembrar, isso sim, é que grande parte da relação formal entre um embaixador e a comunidade do Estado que o mesmo representa, demonstra-se com respeito e preocupação mútua. O trabalho de um embaixador é, entre outras coisas, mostrar esse respeito.

Parte do trabalho de um embaixador é dar a cara. Não se ficar pelos corredores dos Ministérios ou dos salões das Embaixadas é muito importante.

Não tenho ideias preconcebidas sobre o que faz um embaixador e da postura que deve ter. É importante que cada embaixador seja ele próprio, e existem muitas maneiras diferentes de se ser embaixador e muitos estilos diferentes.

O que não tenho dúvidas é de que a parte mais importante no relacionamento entre o embaixador de Portugal e a comunidade portuguesa na Suíça, é a parte humana. É isso que importa, especialmente em momentos de grande dificuldade.

É por isso mesmo que os emigrantes portugueses na Suíça não querem continuar a viver o fantasma de um embaixador orgulhosamente inútil.

20 de setembro de 2011

É muito mau para ser verdade

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, faltou nesta terça-feira à audição na Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, ausência que foi justificada com supostos preparativos que envolvem a visita oficial que o primeiro-ministro realizará brevemente a Angola.

Ora, sabe-se que uma das questões que estaria em discussão prende-se com a greve dos trabalhadores consulares e diplomáticos portugueses na Suíça, luta que já vai na quarta semana consecutiva sem que o governo dê qualquer sinal de vida, esperando apenas que esses servidores do Estado se vejam na contingência de retomar o trabalho pois, em alguns casos, já vai faltando a comida na mesa para os seus filhos.

A situação dramática que estão hoje a viver as dezenas de funcionários consulares portugueses na Suíça tem merecido um desprezo inimaginável da parte dos nossos governantes, exigindo-se por isso a intervenção imediata do senhor Presidente da República na resolução deste problema.

O governo está cego, surdo e mudo. Não respeita os servidores do Estado. Não respeita os milhares de portugueses residentes na Suíça, os quais continuam a esbarrar nas portas encerradas das chancelarias consulares e diplomáticas. E, agora, para cúmulo também já não respeita os deputados e o Parlamento.

19 de setembro de 2011

Reponha-se a Onda Curta

De forma aberrante e ilegal, o anterior governo socialista decidiu suspender as emissões da RDP-Internacional e RDP-África em “ondas curtas”, cortando dessa forma o cordão umbilical que ligava milhares de portugueses espalhados pelo Mundo a Portugal e à cultura portuguesa.

Entretanto, uma nova janela de esperança foi aberta com a chegada do PSD ao poder. Proeminentes figuras desse Partido manifestaram, nessa ocasião, a sua veemente discordância e indignação por essa machadada socialista no serviço público de rádio e televisão, consagrado na Constituição da República Portuguesa.

Todavia, quando tudo parecia que decisão tão errónea iria ser reparada, com a reposição do normal funcionamento da Onda Curta, assistimos antes a tomadas de posição contraditórias no seio dos Partidos da coligação e, pior do que isso, a uma eventual ratificação da decisão socialista pelo atual governo.

Como interroga um brilhante profissional da RDPi meu amigo: «Que sentido faz haver o canal internacional RDPI-Rádio Portugal, quando este perde a esmagadora maioria do seu auditório, que o escutava por Onda Curta.

Não basta aos Partidos políticos apresentarem programas eleitorais de governo com o já habitual rol de meras intenções no que respeita à valorização da Língua e Culturas Portuguesas. É necessário, isso sim, intensificar e dinamizar os meios existentes com vista ao reforço da Língua Portuguesa enquanto símbolo de unidade e coesão entre os portugueses espalhados pelo mundo, e de afirmação do nosso país no exterior.

Aqueles que não querem entender o alcance daquilo que representa a programação da RDPi através do seu serviço em ondas curtas, preferindo deixar-nos sem Língua, sem Pátria e sem Identidade, certamente que não gostam de Portugal e dos portugueses.

18 de setembro de 2011

Cesário está refém de Portas

O comportamento execrável adotado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) na gestão da greve encetada pelos trabalhadores consulares portugueses na Suíça, não se coaduna em nada com a figura de José Cesário, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Conheço Cesário há vários anos. Primeiro, quando ele era deputado pela emigração. Depois, mais tarde, quando o mesmo assumiu pela primeira vez a pasta das Comunidades Portuguesas. Em ambos os períodos, tive a oportunidade e o privilégio de com ele abordar e discutir alguns temas quentes relacionados com a emigração portuguesa na Suíça, verificando de imediato que se tratava de alguém conhecedor e interessado em resolver os problemas existentes, através do diálogo e com elevação.

Assim foi aquando da ocupação das instalações do Consulado em Genebra pelos professores portugueses contratados locais ou da polémica em torno das crianças portuguesas enviadas indiscriminadamente para classes especiais suíças. Ou, ainda, durante uma sua ída à Suíça para resolver graves problemas internos no referido Consulado, na sequência da gestão danosa da ex-cônsul Fátima Mendes.

José Cesário sempre demonstrou responsabilidade e sensibilidade para os problemas das comunidades, manifestando sempre habilidade e inteligência para encontrar soluções e lidar com as pessoas.

Por isso, creio em absoluto que, hoje, José Cesário está refém do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. Este último, tem uma pigmentação autoritária, fria e implacável, que nada tem a ver com a virtude humanista de José Cesário.

Portas é o patrão do MNE. Portas é quem manda. E sendo este último desprovido de qualquer sensibilidade humana, Cesário está entre a espada e a parede. Das duas uma: ou afronta o ministro, sujeitando-se à ira deste e a ir de imediato para o olho da rua; ou manda o ministro à mer...a, batendo a porta da intransigência e saindo com a mesma dignidade como quando entrou para o governo, continuando a merecer o respeito e consideração de todos os emigrantes portugueses.