Ensino especial
Auditoria da PriceWaterhouseCoopers arrasa por completo o sistema de ensino especial no cantão suíço de Genebra
O relatório final da auditoria realizada aos serviços do ensino especializado do cantão de Genebra pela consultora PriceWaterhouseCoopers (PWC), com data de 23 de Setembro último, é profundamente demolidor e preconiza uma reforma drástica de todo o sistema.
A auditoria da PWC mete a nú um sistema de gestão e funcionamento artesanal e de outro tempo. Dentre as inúmeras falhas apontadas, a PWC refere que: a indicação dos alunos susceptíveis de serem colocados no ensino especial não é acompanhada de uma avaliação médica ou psicológica; as decisões são mal documentadas; os dossiers não estão informatizados nem centralizados; as previsões estatísticas são inexistentes; o papel dos serviços envolvidos está mal definido; o ensino especializado depende de duas direcções de serviços diferentes cujos interesses e objectivos raramente convergem; os critérios de colocação dos alunos no ensino especial não são conhecidos de todo.
O ministro da educação de Genebra, Charles Beer, já reagiu publicamente informando que o Departamento de Instrução Pública (DIP) vai acolher todas as recomendações feitas pela PWC, garantindo que ainda este ano, todo o processo de entrada e saída do ensino especial será alterado. Segundo Charles Beer, todos os alunos -- deficientes ou com dificuldades de escolarização -- serão inscritos no ensino regular. A integração passa assim a ser a palavra de ordem e o envio sistemático de alunos para o ensino especializado será erradicado.
PWC confirma o que já venho denunciando há anos
Um dos principais problemas dos portugueses na Suíça tem a ver com o excessivo número de crianças e jovens que frequentam as designadas “Classes Especiais” ou “Classes Especializadas” do ensino helvético. Na sua larga maioria são crianças e jovens com capacidades normais que foram colocadas indevidamente nessas classes do ensino especial suíço, donde dificilmente conseguem sair para integrar o ensino regular ou para fazer uma formação profissional.
Há longos anos que tenho vindo a denunciar a existência desta situação anómala, atentatória dos direitos das nossas crianças. Recordo que em Junho de 2001, eu e outros portugueses entregamos uma petição (apoiada por 1500 assinaturas) no parlamento de Genebra –- tendo posteriormente sido ouvidos pela Comissão de Educação – solicitando que se pusesse fim às práticas abusivas do DIP e se acabasse com o envio indiscriminado de alunos para o ensino especial.
A referida petição acabou por ser chumbada pelo parlamento, com base num relatório escabroso da Comissão de Educação, que branqueou por completo os “disfuncionamentos” dos serviços do ensino especializado.
Ironia do destino, o relator do referido relatório chamava-se Charles Beers, à época deputado e que agora desempenha as altas funções de ministro da educação do cantão de Genebra.
Como diz o ditado “só os burros é que não mudam” e “mais vale tarde do que nunca”.
1 de Outubro de 2008
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2 commentaires:
O relatório da "Conférence suisse des directeurs" é justo! Sobre as causas da grande quantidade de alunos enviados para o ensino especial (para deficientes mentais…).
É justo no que respeita à análise sobre o baixíssimo nível de literacia da maioria esmagadora dos portugueses residentes na Suíça!
O MESMO RELATÓRIO É FALSO E INJUSTO ao esconder que o sistema escolar suíço tem aproveitado da iliteracia dos nossos compatriotas para habilmente praticar uma segregação aos portugueses que vêem o acesso vedado a estudos superiores.
Em suma o sistema suíço diz ao aluno português quando entra para a primária "tu serás merceeiro".
E os pais portugueses respondem "se a minha filha for secretária já fico contente"
O patronato suíço não pede certificados de habilitação nem carteiras profissionais quando emprega os emigrantes, resultado têm ou arriscam-se a ter aqui a comunidade portuguesa mais iletrada e desqualificada da Europa?
(para estatística, ver o numero de jornais portugueses comprados na suíça...)
Um compatriota devia tentar reunir aqui um grupo vigilante e interveniente na defesa desta nossa frágil comunidade, alguém que não queira tirar protagonismo e sobretudo sem ofender o Embaixador português... mesmo quando este é incompetente!
José Manuel de Oliveira.
Olá!
Sou uma jovem, recém-licenciana na área da educacao e emigrante portuguesa aqui na suica desde julho de 2008. Fiquei surpreendida com o que acabei de ler neste bloog. Realmente muitos portugueses que emigraram para a suica, sao de terras pequenas, de aldeias e de mentalidade um pouco retrogadas e limitadas. Mas afinal o Sistema da educacao suico é que era bem mais retrogado e limitado.
Porque o futuro está nas criancas e numa boa educacao!!!
E as novas geracoes sejam de que país forem, nao precisam de ser assim espezinhadas!Tempo é mudanca e mas mais vale mudar tarde que nunca!
Mas ultimamente também tem surgido um outro fenómeno, como é o meu caso e também de outros jovens emigrantes portugueses e também de outros países.
Cada vez mais jovens licenciados recorrem a agencias, amigos, conhecidos ou familiares, para conseguirem trabalho no estrangeiro e seja em que área for... pois hà também um grave problema de se saber falar uma segunda lingua fluentemente.
Fiz um crédito universitário para poder realizar o meu sonho e formar-me na área que gosto de trabalhar e fiquei em pánico quando nao consegui arranjar trabalho na área que me formei, ou em qualquer outra área, seja supermercados, lojas, etc.
Recorri a uma agencia de trabalho e tive que pagar para me arranjarem um trabalho na suica, na área da hotelaria. Esperei e desesperei mais de 4 meses e finalmente arranjei trabalho. Trabalho esse a limpar wcs, quartos,etc... porque nao sei falar alemao! Sei falar muito bem o Ingles, mas isso nao é suficiente, para fazer um trabalho melhor para as minhas qualificacoes!
E este fenomeno nao acontece só comigo infelizmente! Com outros jovens portugueses e estrangeiros também!
Mas eu nao vou desistir e continuo a procurar por um trabalho melhor e que me faca sentir mais realizada. E para isso também é importante aprender a língua alema, que vou tentar num futuro próximo.
Gostei muito deste blog, peco desculpa pela falta de acentuacao das palavras, mas o meu computador é suico...
Lúcia.
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